Outubro foi mês bom de leitura por aqui. Três livros passaram pela mesa do ateliê, e os três renderam conversa na hora do café. Aqui está o que achamos de cada um, sem enrolação e sem spoiler.
Um Verão em Lisboa, de Helena Vasques
Cecília volta a Lisboa para vender o apartamento da avó e encontra cartas de um amor que ninguém da família conhecia. O enredo parece simples, e é. A força do livro está na escrita: Helena Vasques descreve Lisboa como quem ama a cidade, e a saudade da avó vai se misturando com a da protagonista até você não saber de quem é o luto.
Li em três noites e fiquei duas semanas empurrando o livro para as outras. É o romance mais bonito que li este ano, e olha que o ano foi bom. Para quem gosta de história de família com cidade como personagem.
O Jardim das Cartas, de Rafaela Mont Serrat
Uma casa centenária em Minas, uma herança disputada entre três irmãs e um jardim onde cada canteiro esconde uma carta. A premissa promete mistério, e entrega, mas no ritmo de um romance de época: quem espera reviravolta a cada vinte páginas vai se frustrar, quem aceita o passo do livro sai recompensado.
O final divide opiniões. No nosso clube do livro, metade achou honesto, metade achou covarde. É exatamente por isso que recomendo para clubes de leitura: livro que não divide opinião não rende conversa.
A estreia que nos pegou de surpresa
A terceira leitura do mês veio de uma indicação de leitora e ainda não está na loja, porque só um exemplar circulou pela equipe. É um romance de estreia de uma autora gaúcha sobre duas irmãs que herdam uma loja de tecidos. Parece específico demais para ser bom, e é justamente a especificidade que o faz ótimo.
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Os dois primeiros estão na loja
Com marcador de brinde e aquele cheiro de livro novo.